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O que as boas experiências nos ensinam (Cláudia Cezaro Zanuso)

Em outubro de 2008 ficou claro para mim o quanto nossa experiência com comunicação interna poderia ser útil para atuarmos com memória empresarial. De lá pra cá este sentimento vem se tornando cada vez mais verdadeiro. A cada dia que passa comprovamos que a alma das empresas são seus funcionários, profissionais que muitas vezes dedicam suas vidas para a vida corporativa.

Em três visitas a centros de memória, atividade que entendemos ser muito importante para nosso auto-desenvolvimento, pude também verificar outra verdade comum ao trabalho de memória empresarial. Estivemos no Banco Itaú, no Grupo Votorantim e na Nestlé. Em todas essas empresas, recebemos relatos de que para se construir um trabalho consistente de acervo empresarial, é preciso a visão de pelo menos um líder. Alguém que seja o portador da idéia e possa influenciar os demais decisores a favor do projeto. Porque é um trabalho de longo prazo que envolverá toda a organização, demandará investimentos e os resultados, embora sempre positivos, ainda são pouco perceptíveis como fundamentais para o resultado do negócio.

No Itaú tudo começou pela preservação do gabinete do Conselho de Administração do Banco Central de Crédito – atual Banco Itaú – utilizado na década de 40. Por anos, todo o mobiliário, revestimento das paredes, portas e objetos foram guardados para que no futuro fosse recriado o ambiente, compondo uma réplica memorável. Mas, quem fez isso acontecer e deixar o legado foi o Sr. Olavo Setúbal, primeiro homem da organização até sua morte. O que torna grande um homem público não é seu conservadorismo ou seu progressismo, mas sua visão ampla do Brasil e do mundo, a independência de seu pensamento, e a capacidade de distinguir o interesse próprio do interesse público. Olavo Setubal foi impecável nesses três pontos, segundo Luiz Carlos Bresser Pereira.

No Grupo Votorantim, outro líder de peso, Antônio Ermírio de Moraes, vem representando e consolidando todo o trabalho de sua família. Não à toa, o Grupo inaugurou em novembro de 2008 o Museu Votorantim, que atende não só ao público interno, mas a toda sociedade.

E na Nestlé, um acervo que já funciona há 17 anos, também teve seu início a partir do apoio e interesse do Sr. Salgado, um dos dirigentes da empresa que soube influenciar o demais diretores quanto a concepção do que hoje é um importante centro de documentação e memória da empresa no Brasil.

Acreditamos que se possa planejar e conceber um projeto de memória empresarial a partir de um tripé composto por decisão, entendimento e organização.

Claudia Cezaro Zanuso
Núcleo de Memória Empresarial

This entry was posted on segunda-feira, maio 25th, 2009 at 20:16and is filed under Sem categoria. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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