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História oral: emoção compartilhada (Claudia Cezaro e Suzana Vernalha)

Entrevistar pessoas. Coletar informações a partir de depoimentos. Registrar as experiências vividas para que se tornem um registro histórico e possam ser conhecidas por outras pessoas. Esses são alguns princípios da História Oral e que estão cada vez mais presentes no trabalho dos comunicadores, historiadores e sociólogos.

Estes profissionais, assim como nós, buscam valorizar o indivíduo e sua relação com a empresa para a qual trabalha ou com a comunidade em que vive. Ao fazer com que um grupo de pessoas se recorde de fatos ocorridos ao longo de um período de tempo, resgatamos marcos, emoções vivenciadas e lembranças que compõe a história. A pesquisa de documentos amplia e completa o entendimento histórico, já que traz a precisão da data, dos lugares, dos personagens e da ação. No entanto, é no calor do depoimento que está a emoção do momento vivido, o sentimento de pertencimento, a afirmação da identidade, o orgulho de fazer parte daquele momento da história, o testemunho e as lembranças dos sons, cheiros, texturas, cores e sabores.

Por ter o ser humano como seu protagonista, um trabalho de história oral deve ser estruturado sobre princípios éticos e com profundo respeito pelas pessoas. Percebemos isso na palestra promovida pela Fundação Bunge, proferida pela pesquisadora Daniela Rothfuss, que, sob o tema “Memória oral e métodos de registro: a experiência realizada com imigrantes de língua alemã”, contou seu trabalho junto a essa comunidade em São Paulo.

A história oral não é uma entrevista. É um recurso para captar, reproduzir e estudar depoimentos. Serve para reconstituir o passado recente e compõe-se de etapas como: definição do tema e dos objetivos, formatação de roteiro, definição da comunidade a ser ouvida, realização da entrevista propriamente dita, gravação, transcrição e textualização. Tudo feito com a autorização dos entrevistados para que se torne de fato um registro histórico. Respeitar o conteúdo, protegendo de interpretações, é a garantia da autenticidade das informações e do reconhecimento do entrevistador pela confiança que o entrevistado depositou nele. Enfim, para que a memória oral seja uma sólida base documental é preciso que seja feita de forma profissional e ética.

Claudia Cezaro e Suzana Vernalha

This entry was posted on segunda-feira, setembro 21st, 2009 at 20:21and is filed under Sem categoria. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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