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Os rituais segundo Roberto Da Matta

Em 26 de junho tive o prazer de assistir a palestra “Ritos de Passagem e a Construção das Identidades Sociais”, proferida pelo  antropólogo e historiador Roberto Da Matta, no auditório da Votorantim, no centro de São Paulo. Esta palestra fez parte do Fórum Permanente de Gestão do Conhecimento, Comunicação e Memória – Como as histórias estão transformando os negócios, em sua 4ª edição.

Meu primeiro comentário é que o palestrante foi brilhante, não só no conteúdo quanto na apresentação. Com clareza, competência e bom humor, Roberto Da Matta ofereceu para sua plateia pérolas como “ninguém é totalmente perfeito de perto, mas todos são maravilhosos de perto”, mostrando que todos nós temos histórias interessantes de vida para contar e narrar. Afirma que somos criadores de rituais, desde o nascimento, aniversário, 1º dia de escola, puberdade, 1º namoro, casamento, paternidade/maternidade, funeral. Para Da Matta são os rituais que criam nossa identidade e memória. Ao fazermos uma regressão, lembraremos desses marcos, recordaremos as “primeiras-vezes”, que são muitas ao longo de nossas vidas. Cada estágio crítico do ciclo da vida é marcado por um ritual, numa estrutura que envolve separação, transição e incorporação. Cada passagem exige uma transformação, um ajustamento que acontece com movimentos ritualizados. Para Da Matta, celebrar é ritualizar.

O palestrante cita o axioma de Shakespeare “o mundo é um palco e todos somos atores” para dizer que temos papéis atribuídos e adquiridos ao longo da vida. Muitos desses papéis são obrigatórios e compõem os rituais que realizamos: se estamos em um casamento, sorrimos; se vamos a um enterro, choramos. Mesmo quando estamos sós, continuamos a ritualizar, pois são os ritos que dão a legitimação de nossa identidade, são situações que abrem parênteses em nossas rotinas e promovem consciência e reconhecimento.

Como não somos atores profissionais, há papéis que não gostamos e que, portanto, são mais difíceis de desempenhar. Normalmente, são esses papéis que ficam em nossa memória e com os quais precisamos aprender a conviver.

Da Matta entende que não houve diminuição do número de rituais na sociedade contemporânea em relação às sociedades tribais. Mesmo na presença de tanta tecnologia e com o estímulo ao individualismo, tem havido, em sua opinião, mais busca de sentido, identidade e reconhecimento pelas pessoas.

Paulo Nassar, diretor da Aberje e professor-doutor da ECA/USP, ao apresentar o palestrante, ressaltou que os rituais dão enquadramento para as narrativas contemporâneas, sobretudo numa época de abundância de informação. Os rituais fazem o resgate das informações.

Este Fórum é resultado de parceria firmada em 2010 entre a Aberje, a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, o Memória Votorantim, o Museu da Pessoa e o Grupo de Estudos de Novas Narrativas/GENN, do qual fazemos parte.

Suzana Mara de Carvalho Vernalha

This entry was posted on terça-feira, julho 10th, 2012 at 19:58and is filed under Sem categoria. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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