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Boletim novembro 2013

Itaú Cultural promove seminário sobre Centros de Memória

O mês de novembro ficou marcado por esse relevante evento que trouxe inúmeras contribuições para os profissionais da área e também para os empresários interessados em criar seus centros de documentação e memória. Vários especialistas debateram o assunto tão oportuno para esses tempos ágeis, em que as informações se avolumam, muitas vezes sem gerar conhecimento algum. Entre os benefícios apontados pelos palestrantes, a constituição de um centro de memória empresarial possibilita a geração de informação qualificada e confiável e fortalece os valores da organização, além de transmitir senso de continuidade aos colaboradores. Alguns momentos do evento:

Ted Ryan – diretor de comunicação e acervo da Coca-Cola – recomenda aos profissionais da área que mostrem para o restante da empresa que um centro de memória agrega valor e preserva a cultura herdada das geração anteriores.

Ana Luísa de Castro Almeida –  do Reputation Institute – sintetiza a importância da preservação da história empresarial, afirmando que a memória faz o link entre o passado e o presente e aponta os caminhos para o futuro. Para ela,  o significado de uma  organização não pode sair dos computadores dos publicitários. Tem que sair de seus valores e de sua história.

Antonio Matias – diretor do Itaú – é ainda mais enfático ao afirmar que não acredita em organizações que não cultivam a memória e só dão valor ao objetivo econômico. As empresas precisam, obviamente, ter uma agenda econômica, mas não podem prescindir de  valores construídos no dia a dia e do conhecimento acumulado. O executivo enfatiza que a memória é uma turbina que dá a propulsão para a organização ir em frente e não uma âncora que a mantém no passado.

Karen Worcman –  Museu da Pessoa – aponta como um dos principais objetivos de um centro de memória a preservação do sentido dos pioneiros, especialmente agora em que as empresas que surgiram há 50 anos estão mudando seus dirigentes, seus fundadores. A historiadora declara que memória não se guarda: se transforma.

Falando em sentidos,  a professora  Maria Ester Freitas pondera que os centros de memória socializam a informação, reafirmam a missão e o sentido de uma empresa. É um fio condutor que gera compromisso e motivação.

Marcia Pazin discorre sobre gestão do conhecimento e aponta que um projeto de memória oral pode ser utilizado para registrar o conhecimento dos colaboradores relativo às tarefas desenvolvidas na empresa. É o que a historiadora chama de memória técnica, útil no registro, preservação e disseminação  dos processos que resultaram em inovação, sejam de produtos, serviços ou métodos de fabricação, gestão etc. Organizadas em um centro de memória, essas informações podem fomentar o conhecimento e construir inteligência competitiva para a organização.

Patrícia de Sá Freire completa que as empresas não tem que se preocupar apenas em reter talentos, mas, sim, reter o conhecimento de seus talentos!

Eduardo Lapa é ainda mais categórico quando afirma que a transferência e retenção de conhecimento estratégico são importantes para a continuidade de qualquer empresa. E alerta: um Centro de Memória para fazer sentido ao empresário precisa estar próximo do negócio da companhia, contribuir para esse negócio.  Senão vira um centro de custos indesejado.

Para completar, vários cases foram apresentados nesse evento como:  Votorantim, Petrobras, SESC, Bunge e Rede Globo. Sobre esta última, Silvia Fiuza, do Memória Globo, comprovou que o trabalho de um centro de memória pode ser bastante eficaz para a empresa. Em sua apresentação, a executiva contou que o trabalho de sua área, focado em pesquisas complementares e registros de depoimentos, conseguiu disseminar para toda a empresa que a memória da Globo é estratégica para a geração de conhecimento  a tal ponto de estar hoje subordinada à divisão de jornalismo.

Acesse o blog http://novo.itaucultural.org.br/explore/blogs/centros-de-memoria-2/ para conhecer mais detalhes sobre esse evento e ler a íntegra do manual “Centros de Memória, desenvolvido pelo Itaú Cultural.

 

 

Leitura do Mês por Suzana Mara C. Vernalha

Sugerido por Karen Worcman, a leitura do livro “Em busca do sentido” do psicoterapeuta austríaco Viktor Frankl (1905-1997) provocou-me  inúmeras reflexões. Após um longo período de confinamento em campos de concentração, incluindo Auschwitz, Frankl  utiliza a terrível experiência de sobreviver em local tão devastador para desenvolver a teoria da Logoterapia. Sua tese, comprovada em muitos pacientes e companheiros de infortúnio, defende: o que faz um ser humano superar problemas e vivências aparentemente intransponíveis é o fato de haver um significado, um sentido maior nesse sofrimento. Em um ambiente hostil de fome, humilhação, injustiça, medo e violência  sobrevivem  aqueles que têm um apoio interior, um alvo futuro,  algo a realizar e em que acreditar, seja o amor por um filho, um  talento a ser  desenvolvido ou uma obra ainda inacabada. Como disse Friedrich Nietzsche: “quem tem por que viver pode suportar qualquer como”.  Ao retornar ao hospital de Viena, após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial, Frankl passou a perguntar a seus pacientes: qual é o sentido de sua vida? A partir das respostas, o médico ajudava o paciente a tomar consciência desse sentido de vida e a se reorientar para alcançá-lo. “O homem pode suportar tudo, menos a falta de sentido”, defendia Frankl.

Isso me fez pensar que o mesmo ocorre com as empresas. Conhecer a trajetória, o passado da organização (fatos positivos e negativos) e traçar caminhos para o futuro (o sentido que faz a empresa perseverar) é uma forma eficaz de ser eficiente no presente. Qual é o sentido de sua empresa? Qual é a razão da existência dela? Por que ela deve continuar? Qual é o sentido dela para seus funcionários e parceiros?

 

Nasce o cinema brasileiro

Em 26 de maio de 1934, um decreto que instituiu a obrigatoriedade de um curta-metragem nacional antes da exibição de qualquer longa, marcou o nascimento do cinema nacional. Mas na década de 50, esse referencial foi mudado, com o surgimento da Vera Cruz e sua proposta de instalar no Brasil um cinema industrial. Portanto, o dia 5 de novembro é celebrado como o Dia do Cinema Nacional. Jean-Claude Bernardet, em seu livro Histografia clássica do cinema brasileiro, de 1995, comparando nossa historiografia com a de outros países, destaca uma diferença fundamental. Na França, o nascimento do cinema é marcado pela projeção dos filmes dos irmãos Lumière em sessão pública e paga, no dia 18 de dezembro de 1895, ao passo que nosso batismo ocorre pelo acionamento da máquina de filmar, independente da exibição e da existência ou não de um público.

 

Fonte: BITTENCOURT, Circe. Dicionário de datas da História do Brasil – págs. 279 a 281. 2012

This entry was posted on sexta-feira, novembro 29th, 2013 at 20:06and is filed under Sem categoria. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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