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Boletim outubro 2013

Biografia: tema que virou polêmica

Estamos acompanhando a controvérsia recente sobre a publicação (ou não) de biografias não autorizadas que foi iniciada (pasmem!) por artistas consagrados que nas décadas de 70 e 80 condenaram a censura do período militar brasileiro. Ao pretensamente entrarem no bloco dos que apoiam a  proibição de biografias não autorizadas (sobretudo de artistas), esses nossos ídolos estão indo na contramão de preceitos básicos da democracia que são o direito a palavra e a liberdade de expressão. Muito se tem escrito sobre o tema, ora contra, ora a favor. O pesquisador norte-americano e escritor Benjamim Moser, autor da biografia Clarice (sobre a nossa grande escritora Clarice Lispector), em carta aberta a Caetano Veloso, publicada pelo jornal Folha de SP em 9 de outubro, fez uma defesa muito próxima do que nós do Núcleo pensamos: “A liberdade de expressão não existe para proteger elogios. Disso, todo mundo gosta. A diferença entreo jornalismo e a propaganda é que o jornalismo é crítico. Não existe só para difundir as opiniões dos mais poderosos. E essa liberdade ou é absoluta, ou não existe”.

Leitura do Mês por Suzana Mara C. Vernalha

Professor da faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Jaime Ginzburg tem desenvolvido projetos de pesquisa  sobre as  relações entre literatura e violência. Em seu livro “Literatura, violência e melancolia” (Campinas, Autores Associados, 2012) o autor parte da pergunta “pode a literatura fazer alguma coisa contra a violência?” para, com argumentos estruturados, defender que é possível, sim, a produção literária trabalhar a favor da não violência e romper com o modelo existente, sobretudo na indústria do entretenimento, que privilegia conflitos, guerras e destruição. Ao nos depararmos constantemente com cenas e textos inundados de violência em livros, filmes, games etc, habituamos a esse padrão e passamos a olhar com quase normalidade acontecimentos reais do mesmo tipo. Uma literatura pacifista pode inverter esse processo, apoia o autor. Na mesma direção, o psicólogo americano Philip Zimbardo, em entrevista recente na Revista Veja (edição de 21 de agosto), afirma que “a melhor vacina contra a prática do mal é o exercício permanente da autocrítica”. Ao refletirmos sobre o assunto, pensamos que nós –  comunicadores – podemos contribuir com narrativas que tragam um repertório de ideias e exemplos propícios a formação de massa crítica que possam minimizar o efeito maléfico da exposição frequente da violência no nosso dia-a-dia.

Uma Feira e seus 30 anos

A equipe do Núcleo que vem atuando no projeto 30 anos da Feira APAS sentiu-se recompensada pela afirmação feita por João Galassi, presidente da Associação Paulista de Supermercados, em newsletter distribuída a 13 mil associados, fornecedores e demais players do mercado:“Este trabalho retrata a trajetória da APAS de forma rica, valiosa e minuciosa. Com o projeto concluído, vamos perpetuar a importância da Associação para os associados, imprensa, órgãos públicos, acadêmicos, pesquisadores e o público em geral”.

30 x bienal

De 21 de setembro a 30 de dezembro os amantes da arte moderna podem se deliciar na exposição de obras marcantes das 30 bienais realizadas, em cartaz no prédio da bienal no Parque do Ibirapuera em São Paulo. A história das exposições de arte é um instrumento imprescindível para a compreensão da história da arte. O caso da Bienal de São Paulo é especialmente singular, pois foi a 1ª bienal em um país periférico no hemisfério sul, no qual provocou, a partir de 1951, uma dinâmica particular no universo da arte. Foi o evento que rompeu com o isolamento cultual e expandiu sua projeção para além daquele círculo de iniciados, ou seja, um processo transformador.

This entry was posted on quinta-feira, novembro 7th, 2013 at 20:05and is filed under Sem categoria. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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