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Boletim fevereiro 2014

Anita Malfatti em dose dupla
Por Suzana Mara de Carvalho Vernalha

Ao lado de minha cama há uma fila de livros. Fila mesmo. São 3 pilhas enfileiradas, com 6 a 7 livros cada, me esperando. Livros que compro, que ganho, que quero reler. E o tempo para todos? Daí a fila. Vez ou outra, altero a ordem, e foi numa dessas oportunidades que peguei uma caixa linda com dois livros sobre a paulistana Anita Malfatti (1889-1964). Um deles escrito por sua sobrinha Dóris Maria Malfatti e o outro, pela jornalista Ani Perri Camargo, ambos editados pela Terceiro Nome. Comecei pelo da sobrinha. Sua familiaridade com a biografada me atraiu. Porém, foi na obra de Camargo que encontrei mais informações sobre nossa grande artista.

Anita Malfatti foi peça fundamental para a concretização da Semana de Arte de 1922, ao lado de Oswald e Mario de Andrade, por quem a pintora tinha grande afeição, talvez amor (foi só mais tarde que Tarsila do Amaral juntou-se a eles). Desenvolveu sua arte em grande parte em escolas e ateliês fora do Brasil e aqui foi discriminada por muitos anos por criar obras fora do padrão de sua época. Deixou uma coleção importante e significativa de pinturas com traços fortes e coloridos, que foi do acadêmico ao revolucionário com o mesmo talento. “Quanto às cores, gosto de todas, pois Deus fez o mundo e as pessoas com todas as cores”, afirmou Anita a um jornalista durante a VII Bienal Internacional de São Paulo, em 1963, na qual recebeu uma justa homenagem com uma sala especial e uma retrospectiva de suas obras.

Biografia tem um papel importante na ampliação de cultura e conhecimento sobre pessoas, momentos históricos e acontecimentos que transformaram ou modificaram o rumo da sociedade. Pode ser inspiradora, servir de exemplo. A pesquisa e as entrevistas feitas pelo autor da biografia, por mais completas que sejam, não permitem chegar ao fundo da alma do biografado, na multiplicidade das forças que regem o espírito de uma pessoa, mas sim conhecer seus valores, suas experiências, seu modo de vida, sua importância para a sociedade. Sim, porque via de regra as biografias são de pessoas incomuns.

No texto “O Narrador”, Walter Benjamin diz que “entre as narrativas escritas, as melhores são as que menos se distinguem das histórias orais contadas pelos inúmeros narradores anônimos”. Da mesma forma, as melhores biografias são aquelas cuja narrativa final está baseada em pesquisa apurada sobre o tempo vivido pelo biografado, as pessoas que o cercavam, o cenário da época. O distanciamento histórico é outro fator relevante para fazer análises mais apuradas e isentas. Por isso, como já disse o escritor e jornalista Rui Castro, só acredito em biografias de “cadáveres frios”.

 

Acervo da Cia do Metropolitano de São Paulo

Entrevista com Dora Ivana Assem Di Giacomo Silva

No mercado há muitos profissionais atuando em Memória Empresarial que têm grande conhecimento na área e disposição para compartilhá-lo. É o caso de Dora Ivana Assem Di Giacomo Silva, Supervisora de Serviços de Gestão da Informação – Biblioteca, do Metrô de São Paulo, que concedeu uma entrevista muito interessante para o Núcleo:

Núcleo: Em sua opinião, quais as principais razões para uma empresa cultivar sua memória?

Dora: Através da sua história é que a instituição demonstra sua trajetória, princípios e valores. Desde sua criação, o Metrô se preocupou com a excelência  de seus serviços e em proporcionar cultura a seus usuários. Isso está comprovado nas estações, que compõem uma imensa galeria de arte contemporânea e em nosso acervo, com registro nos mais variados suportes. O cultivo e organização da história do Metrô busca dar subsídios para a pesquisa e consulta de todo e qualquer segmento da sociedade, estabelecendo o acesso fácil, seguro e permanente aos documentos produzidos em sua trajetória. Nesses 45 anos de Metrô, através do acervo da Memória, também conseguimos visualizar o desenvolvimento da cidade de São Paulo e a importância dessa empresa em sua evolução. Enfim, não estamos preservando apenas a história do Metrô, mas também, a história da nossa cidade e como foi seu crescimento demográfico, cultural e urbanístico no entorno das estações, conforme sua expansão.

Núcleo: Quais são os principais benefícios do Centro de Memória do Metrô de São Paulo? De que forma eles são úteis para a Companhia?

Dora: A Biblioteca/Memória do Metrô, a princípio, se preocupou em preservar essa importante história, concentrando todo o material em segurança, com armazenagem adequada para sua preservação, recuperação e disseminação da informação. Hoje realizamos atendimentos às áreas de marketing, imprensa interna e externa, recursoshumanos etc., ao mesmo tempo em que recebemos pesquisadores de arte, história, arquitetura, urbanismo, engenharia, etc. No futuro, temos a pretensão de criar o Museu do Metrô de SP, e assim possibilitar que o patrimônio histórico do Metrô de São Paulo seja compartilhado com o mundo em um espaço de visitação interativo e com rico acervo.

Núcleo: Em linhas gerais, quais são os materiais e documentos que vocês preservam no Centro de Memória?


Dora:
O acervo da Companhia reúne mais de 150.000 itens dos mais variados tipos. São mais de 6.000 publicações bibliográficas de memória técnica, 100.000 iconográficos (aquarelas, negativos, diapositivos, cromos, ampliações fotográficas e mapas), 1.500 documentos textuais (folhetos, folders, cartazes, convites e matérias jornalísticas), 1.000 horas de material audiovisual (películas, VHS, U-Matic), mais de 100 horas de material sonoro (depoimentos de funcionários e discursos), além de objetos tridimensionais (miniaturas, prêmios e moldes).

 

Enquanto isso, na web…

… registramos dois movimentos bem criativos acerca do tema memória:

O Facebook completou 10 anos de existência e ofereceu a seus seguidores um filme inspirado nos principais fatos compartilhados, desde a entrada de cada usuário na rede até os dias atuais. Pelo link de acesso https://facebook.com/lookback/ não teve quem não sentisse curiosidade em ver e publicar o seu.

Em ano de Copa do Mundo a Rede Globo criou o aplicativo Futpédia para ajudar os internautas a conhecerem a história deste grande campeonato esportivo. São vídeos, fotos e um analisador tático que observa as jogadas, gol a gol. Veja no link: http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-esporte/v/aplicativo-futpedia-ajuda-internautas-a-conhecerem-a-historia-da-copa-do-mundo/3134081/

This entry was posted on terça-feira, fevereiro 25th, 2014 at 20:10and is filed under Sem categoria. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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