«
»

Boletim setembro 2014

Museus criativos: possibilidades e contradições

 

Promovida pela Bunge e Itaú Cultural e realizada no início de setembro, a palestra de Adriana Teixeira da Costa sobre Museus Criativos foi bem instigadora. O Núcleo esteve presente e pode ouvir a pesquisadora discorrer sobre o cenário atual em que vivemos, destacando: a hiperconectividade e suas consequências no relacionamento entre as pessoas; a cultura de convergência e a possibilidade de fazer interações simultâneas com várias mídias em um mundo praticamente sem fronteiras; o “prosumidor” que define o consumidor atual que consome e produz conteúdos vários em uma sequência ininterrupta de informações; e a saturação que gera uma pobreza de atenção, já que a quantidade exponencial de conteúdo acaba dispersando a concentração.

Perante essa realidade, a pesquisadora alerta sobre a necessidade dos museus adaptarem suas linguagens para atender a esse novo público. Para ilustrar, citou alguns museus nos quais já é possível perceber uma multiplicidade de linguagens como Inhotim (MG), o Museu da Língua Portuguesa e o MIS, ambos em SP, entre outros.

 

O local escolhido para esta palestra – Museu da Casa Brasileira – foi bem oportuno: além do belo jardim, os participantes puderam conhecer a exposição “Maneiras de expor: arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi” que faz parte das comemorações do centenário de nascimento da arquiteta, design, artista e cenógrafa nascida na Itália (1914-1992), que se naturalizou brasileira e viveu grande parte de sua vida em São Paulo. Lina colaborou com a renovação da nossa arquitetura, a começar por sua residência conhecida como Casa de Vidro, construída por ela em 1951 no bairro do Morumbi, e onde foi instalado, a partir de 1990, o Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi. A arquiteta foi responsável pela criação de várias exposições e mostras temporárias, instaladas no SESC Fábrica Pompeia, local idealizado e adaptado por ela (1982). Lina Bo Bardi é considerada também uma importante figura para o estabelecimento das bases da museografia moderna no Brasil, especialmente graças a sua contribuição para a instalação do primeiro MASP na Rua 7 de abril (em 1947) e com o projeto e construção do prédio atual na Av. Paulista, inaugurado em 1968. Para quem admira a artista, esta exposição ficará até novembro. http://www.mcb.org.br/

 

 

Leitura do mês – 5 Lições de Storytelling, fatos, ficção e fantasia

Por Claudia Cezaro Zanuso

 

A ferramenta storytelling quando utilizada no ambiente empresarial significa contar e compartilhar histórias com um propósito definido. Para James McSill, autor do livro que li este mês, os princípios de storytelling – da geração à construção de histórias – e suas aplicações referem-se à sistematização do que existiu e à capacidade de tentarmos melhorar as histórias para que elas atinjam objetivos pré-determinados. McStill acredita no poder das histórias como instrumentos capazes de mudar vidas, resolver dilemas morais e questões aparentemente indissolúveis, apontar caminhos, estimular a reflexão e gerar aprendizado. Gaúcho, com mais de 30 anos de experiência na arte de contar histórias e dono de empresas ligadas à indústria literária no Brasil e na Inglaterra, país onde mora, este autor é conhecido como consultor literário e está à frente da McSill Story Studio, que tem parcerias com estúdios em Hollywood.

 

Neste livro, encontrei vários fundamentos para nosso trabalho de organização e divulgação da memória empresarial, a começar pela ótica de que a história de uma empresa é construída todos os dias e é composta por fatos reais, vividos por seus públicos – internos e externos. Significa dizer que para as empresas é fundamental cuidar também de sua história presente para que os registros positivos sejam em maior número. Estes compõem repertórios próprios, que uma vez gerados no presente, passam imediatamente a fazer parte do passado. O autor lembra a frase de Millor Fernandes que dizia “passado é o futuro, usado”.

 

Importante peculiaridade das histórias é o poder de engajar a audiência, algo que as organizações almejam no relacionamento com seus públicos. Compartilhar conhecimento utilizando o potencial da ferramenta storytelling possibilita gerar diferencial de marca e promover maior competitividade no mercado. O autor lembra que em época recente bastava um bom discurso para impulsionar uma marca empresarial ou pessoal. Atualmente, são as histórias que fazem esse papel. O discurso ficou associado à formalidade, ao distanciamento dos anseios do público. Contar uma história, por outro lado, aproxima. Busca-se a mensagem que transforma, não o discurso que apenas informa.

 

MIS com entrada franca

  

A mostra Conversas de Graciliano Ramos no Museu da Imagem e do Som, São Paulo, é uma ótima pedida para o mês de outubro. Reúne audiovisuais, fotos e documentos que revelam a trajetória do escritor e suas opiniões sobre diversos assuntos como: política, sociedade, cangaço, literatura, artes e muitos outros. O autor de clássicos como Vidas Secas, São Bernardo e Memórias do Cárcere foi pródigo em ir fundo na alma brasileira. A exposição inclui manuscritos originais e uma instalação cenográfica que recria o ambiente de trabalho do nosso grande Graciliano, com objetos preservados por familiares ou que fazem parte do acervo de dois museus de Alagoas. Conheça um pouco mais sobre a trajetória de nosso grande intelectual e político que orgulha nosso país. http://www.mis-sp.org.br

 

 

Tire a história da memória!

This entry was posted on quinta-feira, setembro 25th, 2014 at 20:23and is filed under Sem categoria. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

0 Comentários

Deixe o seu comentário!