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Boletim dezembro 2014

A grande sacada do storytelling 

Por Suzana Mara de Carvalho Vernalha

 

A palavra storytelling está em voga. Tanto se fala que parece algo criado recentemente. No entanto, o hábito de contar histórias é tão antigo quanto a humanidade. Dizem até que a capacidade de historiar, criar e organizar em narrativas fatos e eventos (reais ou imaginários) é a principal diferença entre os homens e os demais animais.

Pode ser, embora cientistas e estudiosos tenham registrado sistemas de comunicação complexos entre animais da mesma espécie. O que será que eles falam? Talvez sobre um bicho estranho que tem a mania de tratar a natureza com negligência e cometer injustiças com indivíduos de seu grupo. Sabe-se lá…

Mas, voltando ao storytelling, o que queremos é ressaltar o poder desta ferramenta no mundo empresarial, sobretudo em projetos de comunicação e memória. Acreditamos que o storytelling ganhou definitivamente o mundo das organizações. Contar histórias pode ser um eficiente recurso para alinhar estratégias, compartilhar conhecimento, valorizar as superações ocorridas após momentos de crise, conectar colaboradores, engajar stakeholders e transmitir valores éticos.

A marca possui um coração pulsante

Como utilizar o storytelling em prol da comunicação e de projetos de memória?

Inicialmente, é fundamental compreender que as organizações disputam a atenção de seus consumidores em um mundo onde todas têm acesso às mesmas oportunidades e tecnologias. Portanto, a história (se bem contada) pode ser um diferencial, aquilo que irá destacar sua empresa das demais. Segundo ponto: a história a ser narrada tem que ter objetivo e conceitos predefinidos. Lembre-se, estamos falando de storytelling enquanto ferramenta de comunicação estratégica, ou seja, completamente alinhada ao plano estratégico da organização. Entretanto, o conhecimento da trajetória e dos principais eventos e personagens (fundador, liderança, empregados etc) representa apenas o início deste processo. Transformar essa história em uma narrativa bem construída constitui-se, de fato, no pulo do gato. E mais: para encantarem, as narrativas precisam transmitir autenticidade, serem inspiradoras, despertarem emoção, conquistarem. As pessoas não retêm, com facilidade, dados e números frios, porém guardam histórias e sentimentos. O storytelling tem a propriedade de humanizar uma marca, que deixa de ser abstrata para ganhar coração, sentimentos e personalidade.

O empresário do setor de entretenimento norte-americano, Peter Guber, escritor do best seller “Tell to win”, defende que “não há negócio sem uma boa história” e que a melhor maneira de conectar outras pessoas aos seus propósitos é começar com o emocionante “era uma vez…”. Daniel Pink, relevante pensador do management e autor de instigantes livros sobre o mundo do trabalho e da inovação – entre eles “A nova inteligência” e “O cérebro do futuro” – destaca o poder das histórias empresariais na valorização das marcas, quando estas estabelecem uma conexão emocional com a audiência e propicia a conexão dos dois lados da mente (emoção e razão). Tal como lá, nossos empresários estão despertando para as inegáveis vantagens do storytelling.

O roteiro

A receita para criar uma boa história é cuidar do roteiro. Para tanto, o narrador pode seguir parâmetros já identificados como o das histórias milenares. Nesse campo da mitologia e contos tradicionais destacam-se dois estudiosos: Joseph John Campbell (1904-1987)  e o seu modelo da jornada do herói, exposto na obra “O herói de mil faces”, publicada em 1949; e o acadêmico e folclorista russo Vladimir Propp (1895-1970) que analisou os componentes básicos do enredo de centenas de contos populares russos, originários de diferentes séculos, identificando neles elementos comuns, o que foi explicado no livro “A Morfologia dos Contos de Fadas”, publicado em 1928.  Ambos os autores ressaltam componentes narrativos básicos – heróis, eventos extraordinários, mentores, desafios, superações, reviravoltas –  com os quais já nos acostumamos e que fazem parte de nosso inconsciente coletivo (como diria Carl Jung). Mas, veja, a mitologia é apenas um norte (não regra) para prepararmos uma história que cative, encante e transmita significados e valores.

A difusão

Depois de criada, a história e suas narrativas podem ser contadas por meio de diferentes canais de comunicação, respeitando as especificidades de cada um. Podem também serem criadas mini-histórias, oriundas da mensagem principal e veiculadas em sites, blogs, mídias sociais, livros, games, filmes, peça de teatro e onde mais a imaginação permitir.

Não precisa inventar

Toda empresa tem uma boa história para contar. Mesmo assim, algumas optam por inventar um mito falso como estratégia. Este foi o caso da Diletto. Fundada em 2008, a empresa é um verdadeiro sucesso no mercado de sorvetes artesanais, alicerçado na inegável qualidade da matéria prima utilizada na fabricação dos produtos. Porém, este sucesso recebeu o impulso de uma bela história que se inicia com o vovô Vittorio, um italiano que fabricava sorvetes antes da II Grande Guerra Mundial. No site há uma foto dele e outra do carrinho de sorvetes que utilizava para vender sua mercadoria na cidade de Vêneto, na longínqua década de 20. A mesma comunicação visual é utilizada nas embalagens e pontos de venda. (http://www.gelatodiletto.com/nossa-historia). Ocorre que Vittorio nem sequer existe. O avô de Leandro Scabin, fundador da Diletto, é de fato italiano, porém se chama Antonio e é paisagista. Nunca trabalhou com sorvetes. A história foi criada para atrair e tornar a marca única.

Final da história

As opções estão aí. O poder de uma boa narrativa é inegável.  Vislumbrar o resultado positivo é saber que a história foi transmitida adiante e que o público considerou-a ao decidir-se pela compra de uma ideia, de um produto ou serviço.

Então é dezembro. E que venha 2015!

1. O ano praticamente terminou e, ao fazermos uma retrospectiva, nos orgulhamos de nosso trabalho e de nosso aprendizado. Evoluímos com as experiências e com os ensinamentos de especialistas de várias áreas que temos o privilégio de conhecer em livros, cursos e encontros.  Nosso trabalho é pesquisar e analisar a história de sua empresa para, a partir dela, inspirar seus colaboradores e cativar seus públicos. Fazemos isso para destacar sua marca dentre tantas que bombardeiam seus consumidores a todo o instante. Por sermos especialistas em comunicação e em projetos de memória, nos consideramos preparados para atender sua empresa com técnicas competentes e eficientes sob o ponto de vista estratégico. Teremos muita honra em resgatar a história de sua organização e com ela construir narrativas verossímeis e interessantes.

Portanto, até 2105: um ano que promete ser repleto de alegrias, sucessos e boas histórias.

Claudia Cezaro Zanuso                   Suzana Mara de Carvalho Vernalha

This entry was posted on quinta-feira, dezembro 11th, 2014 at 20:26and is filed under Sem categoria. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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